Astronautas da Nasa dizem confiar em cápsula da Boeing – 10/07/2024 – Ciência

Os dois primeiros astronautas a voar na Starliner disseram nesta quarta-feira (10) da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) que estão confiantes na capacidade da nave espacial de levá-los de volta para a Terra, assim que a Boeing e a Nasa solucionarem uma série de problemas com os propulsores que os mantêm no espaço por muito mais tempo do que o esperado.

“Eu tenho um pressentimento muito bom no meu coração de que esta nave espacial nos trará para casa, sem problemas”, disse a astronauta Sunita Williams durante a primeira entrevista coletiva da tripulação da Starliner desde a acoplagem à ISS há mais de um mês.

Williams e Barry Wilmore, ambos astronautas veteranos da Nasa e ex-pilotos de teste da Marinha dos EUA, foram lançados a bordo da Starliner, da Flórida, em 5 de junho e acoplaram no dia seguinte à ISS, onde inicialmente estavam programados para passar aproximadamente oito dias.

Mas uma série de problemas com o sistema de propulsão da cápsula estendeu a missão indefinidamente. Cinco dos 28 propulsores de manobra da Starliner falharam durante sua jornada de 24 horas até a estação, uma válvula de propelente falhou em fechar corretamente e houve cinco vazamentos de hélio, que é usado para pressurizar os propulsores.

“Estamos absolutamente confiantes”, disse Wilmore aos repórteres. “Aquele mantra que você ouviu: o fracasso não é uma opção.”

“E é por isso que estamos ficando, porque vamos testar isso. É isso que fazemos,” acrescentou o astronauta, reconhecendo que uma investigação em andamento da agência espacial e da Boeing envolvendo testes de propulsores na Terra é fundamental para o retorno deles.

A missão de teste atual é o último passo da Boeing antes de a espaçonave poder obter a certificação da Nasa para voos regulares de astronautas e se tornar a segunda cápsula orbital dos EUA. A primeira é a Crew Dragon, da SpaceX, que tem dominado o mercado de voos espaciais tripulados.

Funcionários da Nasa e engenheiros da Boeing têm se concentrado nos propulsores com defeito e pretendem realizar semanas de testes adicionais antes de permitir que Wilmore e Williams embarquem de volta à Terra. Esses testes incluem disparar propulsores idênticos no campo de testes de White Sands, no Novo México, para obter sinais do que pode estar afetando os propulsores no espaço.

“Uma vez que os testes forem concluídos, então vamos analisar o plano de pouso”, disse Steve Stich, chefe da tripulação comercial da Nasa, aos repórteres no mês passado. “Não vamos definir uma data específica até que os testes sejam concluídos.”

Os testes podem durar “algumas semanas” ou mais, seguidos por uma revisão dos dados pela Nasa, segundo Stich. A Starliner está aprovada para permanecer acoplada à ISS por 45 dias —ou até 90 dias usando vários sistemas de backup e dependendo da saúde de suas baterias de íon de lítio, que causaram preocupações no passado.

Embora a Nasa e a Boeing tenham afirmado que a Starliner é capaz de carregar os astronautas de volta à Terra em caso de emergência na ISS, a cápsula não está aprovada para retornar em circunstâncias normais, não emergenciais, até que seus problemas de propulsão sejam resolvidos ou pelo menos mais bem compreendidos.

Funcionários da Nasa e da Boeing enfatizaram que os dois astronautas não estão perdidos no espaço.

No mês passado, um satélite russo se desintegrou em cerca de 180 pedaços de detritos perto da órbita da ISS e forçou os astronautas a irem para suas espaçonaves acopladas —incluindo Wilmore e Williams entrando na Starliner— para se prepararem para uma possível fuga. A Boeing citou o evento como um exemplo da prontidão da Starliner para retornar para casa se for absolutamente necessário.

“A Starliner estava pronta para desacoplar e retornar Wilmore e Williams à Terra, se necessário”, disse a empresa em um comunicado no mês passado.

Os riscos dos detritos diminuíram e os astronautas saíram de suas cápsulas uma hora depois.

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