Bravata de Milei contra Lula é estratégia de comunicação – 08/07/2024 – Encaminhado com Frequência

Na semana em que foi indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre a venda de joias, Jair Bolsonaro participou do principal evento organizado pela direita conservadora, a Cpac (Conferência de Ação Política Conservadora, na sigla em inglês), que aconteceu no último final de semana em Balneário Camboriú (SC).

O evento ganhou destaque ao longo da semana por causa da participação do presidente da Argentina, Javier Milei. Ele se tornou ícone da direita por seu jeito ríspido e por criar embates com líderes políticos de outros países que não sejam associados ao campo conservador.

Em sua vinda ao Brasil, não foi diferente. Milei chamou a atenção da imprensa por vir ao país e não se encontrar com o presidente Lula –é sua primeira visita ao território nacional depois de assumir a Presidência. Mais do que isso, nas redes sociais, voltou a atacar o chefe do Executivo brasileiro, referindo-se ao mandatário como corrupto.

No começo do ano, Milei criticou o presidente da Colômbia Gustavo Petro, chamando-o de “comunista assassino”. Em maio, causou um conflito diplomático ao atacar o presidente da Espanha, Pedro Sánchez. Em retaliação, Sánchez anunciou a retirada definitiva da embaixadora espanhola da Argentina.

A vinda de Milei ao Brasil se ressalta ainda mais pelo fato de que o presidente argentino cancelou sua participação na cúpula do Mercosul, que se iniciou neste domingo (7) no Paraguai. Em Balneário Camboriú, Milei se encontrou com políticos da direita brasileira, entre eles o ex-presidente Bolsonaro.

A estratégia de Milei de criticar mandatários associados à esquerda faz com que ganhe projeção internacional por causa dos embates gerados.

Por ocupar a posição de presidente, suas falas já têm destaque na imprensa pela importância do cargo. Quando entra em conflitos com outros chefes de Estado, essa cobertura é ampliada.

Dessa forma, a oposição interna nos países cujos mandatários foram atacados tendem a enaltecer os atores relevantes que endossam as críticas. Um exemplo é a associação da direita brasileira com Elon Musk depois das investidas do bilionário contra o ministro do Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Com os ataques de Milei à Lula e à esquerda, a direita brasileira adotou o político argentino como um dos mais vocais atores de seu campo político. Por essa razão, nas redes sociais analisadas pela Palver, a vinda do presidente argentino para a Cpac foi motivo de celebração nos grupos de direita.

Parte das mensagens apontava que a situação econômica da Argentina melhorou após Milei assumir a Presidência. Já nos grupos de esquerda, as mensagens traziam informações opostas, indicando que o país vizinho está em recessão enquanto o Brasil experiencia crescimento econômico.

No evento da Cpac, Bolsonaro fez um discurso de abertura no sábado (6). Em pouco menos de cinco minutos de fala, o ex-presidente repetiu o questionamento ao resultado das eleições, fez o chamado para a direita se manter unida em torno das eleições municipais e insistentemente pediu espaço de fala na Rede Globo.

Nas redes sociais, os grupos de direita se mobilizaram após o indiciamento de Bolsonaro pela Polícia Federal. A maioria das mensagens repete uma teoria da conspiração de que há um conluio entre Lula, Polícia Federal, STF, TSE e Globo para incriminar o ex-presidente.

Ao pedir para ser entrevistado ao vivo pela Rede Globo, Bolsonaro aposta na dificuldade em se rebater um grande conjunto de afirmações inverídicas ou imprecisas em tempo real, deixando a sensação de que, por não terem sido confrontadas, são informações verdadeiras.

Essa estratégia utilizada por políticos da direita já foi exposta por Mehdi Hasan, colunista do jornal britânico The Guardian, em seu livro “Vença todas as discussões”.


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