Como é viajar sem a companhia dos pais nas férias? – 28/06/2024 – Folhinha

Nas férias de janeiro, Pedro A. D. D. de 8 anos, viajou para o acampamento do Sítio do Carroção, que fica próximo à cidade de Tatuí, no interior de São Paulo. Antes de ir, ele teve dúvidas se seria divertido –afinal, era a primeira vez que estaria num outro lugar sem os pais dele.

“Na hora de dormir eu tinha um pouquinho de medo, mas não por causa do escuro nem nada. Eu estava acostumado já, só que ficava com saudade”, conta.

Para lidar com a vontade de voltar para casa que às vezes sentia, o aluno do terceiro ano da escola Lourenço Castanho, na capital paulista, criou uma estratégia. “Eu pensava: ‘Olha, estou num lugar tão legal e não vou ficar aqui pra sempre, vou voltar uma hora’. Aí isso fazia a saudade ficar menor.”

Assim como ele, tem muita gente que vai viajar sem os pais pela primeira vez —agora nas férias de julho, por exemplo. Pode ser com os tios, com os avós, com os amigos ou mesmo numa atividade organizada pela escola. Isso vai acontecer com você também?

Se é que você está numa situação assim, às vésperas de passar um tempo longe de casa, é bem possível que esteja cheia de dúvidas. E se sentir saudades, o que fazer? E se bater vontade de voltar para casa? E se não quiser participar das atividades que todo mundo estiver fazendo?

Bom, em primeiro lugar, você deve pensar que o medo de encarar sozinho uma experiência nova afeta todo mundo, crianças e adultos. E que ficar ansioso diante do que está por vir é normal. O medo assusta, às vezes até parece que paralisa, mas não podemos deixar que ele nos impeça de fazer o que, no fim, se prova divertido.

Pedro, o aluno que foi pro Sítio do Carroção, conta que a viagem que fez sozinho superou suas expectativas. “Tinha um monte de aventuras legais. Você podia ir numa pista muito legal e fazer corrida com o pessoal. Eu fiz vários amigos, e a comida lá era muito boa.”

Helena G.B., de 11 anos, vai encarar uma viagem dessas pela primeira vez neste ano. Ela vai para Cananeia, no litoral de São Paulo, participar de uma viagem de estudos organizada pela escola, o Colégio Santo Ivo. A estudante está empolgada, mas tem preocupações. “Por exemplo, se eu não gostar da comida, não vou ter meus pais para falar e vou ter que aprender a me virar.”

“Enquanto eu estiver estudando ou brincando não vou sentir muitas saudades porque vou esquecer, mas à noite, quando não tiver nada para fazer, vou ficar lembrando”, diz. Seus pais também devem sentir a mesma coisa, acredita, porque não estão acostumados a ficar longe dela.

A professa e psicopedagoga Manuela Barbosa dá dicas para essas horas. “É bom combinar antes como se pode entrar em contato com os pais, para o telefone de quem se pode ligar, se dá para fazer videochamada, mandar mensagem.”

“Pode combinar de brincar o dia todo e entrar em contato à noite ou no horário de almoço para contar as novidades, para mandar notícias”, afirma.

Outra sugestão dela é levar para a viagem algo que te faça lembrar de quem você deixou em casa. “Pode ser uma foto impressa ou algum objeto material. Pode combinar, inclusive, de deixar algo seu com os seus pais, porque eles também sentirão saudades.”

Estratégias como essas ajudam um bocado. É que nem sempre, quando bater a vontade de voltar para casa, é possível arrumar as malas e se mandar ou mesmo pedir que seus pais viajem para te buscar.

“Mas dá para conversar sobre isso com algum adulto que estiver junto e organizar um plano para que você consiga relaxar um pouquinho e aproveitar um pouco mais”, recomenda Manuela Barbosa, que é integrante da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Viagens como essas são um convite para fazer amigos e descobrir novas atividades. Ainda assim, pode ser que nem todo mundo entre em acordo. Por exemplo, a gente quer entrar na piscina, mas tem gente que quer jogar futebol. E aí?

“Façam um combinado, anotem no papel o que cada um quer fazer e como dividir o tempo. Dá até para fazer um sorteio, colocar as opções num papelzinho ou tirar no dado”, diz a psicopedagoga. “A gente não precisa fazer aquilo que não quer, mas a gente pode ceder um pouquinho.”

Mesmo combinando, às vezes as pessoas se desentendem. Às vezes, acontecem até brigas a ponto de tudo descambar para uma brincadeira de mau gosto ou bullying. Nessas situações, segundo Manuela Barbosa, devemos procurar um adulto. “É quem tem condições de ouvir, orientar e proteger cada um que está ali. A gente sempre pode resolver qualquer conflito com conversa e pedindo ajuda a quem é responsável por aquele grupo.”

Em resumo, diz ela, o importante é pensar que toda essa apreensão que nos toma antes de viajar —ou mesmo o medo durante— é uma coisa passageira. E até os adultos costumam ter esses receios antes de embarcar numa experiência nova.

O estudante Pedro, ouvido no início desta reportagem, já quer fazer outra viagem. “Quando cheguei em casa, eu gostei tanto que eu fiquei falando ‘nossa, foi muito legal’.” Tanto é que ele aprendeu que é possível virar amigo das outras crianças que ainda não conhece.

Já Helena, que vai passar por essa experiência pela primeira vez, está animada. “Todo mundo que vai pra essa viagem vai aprender muito. Aprender a lidar com os sentimentos, a se organizar e amadurecer mais.”

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