Desocupação de terreno de hotel em Igarassu provoca protesto no Grande Recife


Mais de 700 famílias foram retiradas de uma área ao lado da PE-14 e protestaram na manhã desta quinta-feira (19), bloqueando a BR-101 durante uma hora. Mais de 700 famílias são retiradas de terreno particular em Igarassu
Manifestantes bloquearam os dois sentidos da BR-101 Norte no quilômetro 47,5, entre os municípios de Igarassu e Abreu e Lima, no Grande Recife, na manhã desta quinta-feira (19). Após a desinterdição do local, os integrantes do ato seguiram para protestar em uma área de ocupação ao lado da PE-14, onde vivem 767 famílias. (Veja vídeo acima)
A manifestação foi motivada pela desocupação de um terreno próximo à Praia de Mangue Seco que pertence ao Gavoa Praia Hotel, em Igarassu, de acordo com a Justiça. O cumprimento da reintegração de posse foi feito pelo 17º Batalhão da Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco.
Protesto bloqueou a BR-101 Norte no quilômetro 47,5
Polícia Rodoviária Federal/Divulgação
Durante o ato, os manifestantes atearam fogo em pneus, interditando o trânsito na via e causando engarrafamento. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) , esse primeiro momento da manifestação na BR-101 Norte teve início por volta das 5h10 e foi encerrado no local às 6h07. Já de acordo com o 17º Batalhão da PM, a rodovia foi liberada por volta das 5h50.
No segundo local do protesto, os manifestantes seguraram faixas, fizeram um círculo na frente do terreno, rezaram e pediram a presença de um promotor de Justiça. Os participantes do ato argumentaram que a ocupação ocorre em uma área improdutiva de 25 hectares que pertence à Marinha, e não ao hotel. A Marinha do Brasil nega que o terreno pertença a ela (veja nota no fim da matéria).
Famílias protestam em área de ocupação próximo à PE-14, em Igarassu
Camila Torres/TV Globo
Às 9h40, a polícia entrou no terreno para começar a desocupação, desligando primeiramente a energia elétrica do local. A manifestação foi encerrada nesse momento e as famílias retiraram o que havia dentro das casas, algumas delas já de tijolo e com telhas. Máquinas foram levadas para demolir as casas, a fim de evitar o retorno dos moradores, além de caminhões para recolher tudo.
Impasse
O mandado de reintegração de posse, assinado pela juíza Simony Emerenciano Almeida, da Primeira Vara Cível da Comarca de Igarassu, é referente à área Ramalho II, que fica no distrito de Nova Cruz e tem quase 74 hectares. Ao todo, 200 policiais foram até o local para retirar as famílias e demolir as casas.
“Estou aqui desde 17 de setembro, antes morava de aluguel, na Macaxeira [bairro da Zona Norte do Recife]. A gente está atrás de moradia e preocupado porque não sabe para onde vai. Vim para ter onde morar, mas vamos ficar no meio da rua, com os móveis e tudo, sem saber o que fazer”, afirma o porteiro Fábio Pereira da Silva.
De acordo com a Polícia Militar, esta é a terceira reintegração de posse do terreno e o impasse se arrasta há anos. As famílias que vivem no local desde setembro do ano passado organizaram a Associação Mangue Beach para lutar por moradia.
“Nós ocupamos uma área de 25 hectares. Nós estamos lutando por moradia e chegamos aqui há cerca de oito meses. É uma terra que tem mais de 28 anos desabitada, é uma terra que não tem produtividade. Antigamente era uma mata alta, a gente chegou, fez a manutenção, povoou, colocou famílias, temos crianças, gestantes, idosos, são pessoas que não têm para onde ir. Retiram os móveis daqui e vão para onde?”, questiona Gláucio Gleidson do Nascimento, diretor da associação.
Protesto bloqueia estradas de Igarassu, no Grande Recife
Respostas
Por meio de nota, a Capitania dos Portos de Pernambuco informou que o terreno não pertence à Marinha do Brasil. “Cabe esclarecer que existe diferença entre ‘terrenos de marinha’ e ‘terrenos da Marinha’, sendo somente estes últimos de responsabilidade da Marinha do Brasil, por conterem organizações militares ou serem áreas sob sua administração”, traz o texto.
A prefeitura de Igarassu informou, também através de nota, que acompanha a situação em Nova Cruz, com equipes das secretarias de saúde e assistência social, além da guarda municipal, mas explicou que não tem o poder de interferir em uma ação judicial de reintegração de posse. “O município, nesse momento, não dispõe de recursos e nem tem prazo para previsão de novos habitacionais”, diz no texto.
A administração municipal orienta as famílias a procurarem a Secretaria de Políticas Sociais para obter informações sobre o encaminhamento do projeto do governo federal Minha Casa Minha Vida. A prefeitura disponibiliza o telefone (81) 3545-6748 para o caso de dúvidas.
A equipe da TV Globo conversou com o diretor do Gavoa, Sérgio Almeida, que disse que o terreno pertence ao hotel há aproximadamente 40 anos e que quer os lotes de volta para fazer construções no local.

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