Extrema direita agoniza sem fake news – 27/06/2024 – Ilustríssima

[RESUMO] Autor analisa a mobilização, por líderes antissistema e autoritários, de sentimentos negativos de eleitores, argumentando que a circulação desenfreada de fake news em aplicativos de mensagens e redes sociais, pilar da escalada recente do populismo de extrema direita, deve ser limitada pela regulação de plataformas. Pesquisas em Portugal e no Brasil indicam a força de massas emocionalmente radicalizadas e as ameaças que representam à democracia.

Em todo o mundo, vêm se discutindo os efeitos deletérios da desinformação deliberada e da disseminação maciça de fake news na internet, que atingem o âmago da higidez das eleições e fragilizam a democracia representativa.

Assim como o diagnóstico, a solução apontada é praticamente consensual entre os especialistas: o problema não pode ser resolvido, mas é preciso tentar coibi-lo por meio, sobretudo, da regulação das plataformas e das mídias sociais, como fez a União Europeia. Para ser efetiva, tal regulação implica um grau de dificuldade muitas vezes maior que seu equivalente no mundo analógico.

Deepfakes criadas por inteligência artificial e por milhões de usuários e bots que reproduzem desinformação apócrifa em redes criptografadas de ponta a ponta trazem a complexidade da tarefa a um patamar incomparável ao que foi, no passado, o desafio de controlar a propaganda em jornais, rádios e televisões.

Além disso, há uma forte reação a essas iniciativas em países como o Brasil —o Congresso, por exemplo, manteve recentemente o veto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que travou a tipificação do crime de comunicação enganosa em massa no contexto eleitoral.

Por que há uma oposição tão contundente, capitaneada pela extrema direita, às tentativas de regulação das plataformas? A resposta a seguir é baseada na psicologia política e na neuropolítica.

A opinião pública é movida por sentimentos. Não são as ideias que põem as massas em movimento, mas as emoções nelas despertadas: os sentimentos gerados pela narrativa dos fatos mais que os próprios fatos.

Como António Damásio resumiu, somos máquinas de sentimentos que pensam e não máquinas racionais que se emocionam. Somos seres frequentemente mais racionalizadores que racionais. Tratando mais diretamente do nosso objeto, já foi bem demonstrado o quanto o conteúdo emocional aumenta a credibilidade das fake news (Martel et al, 2020).

Historicamente, os líderes antissistema, de esquerda ou de direita, só tiveram êxito quando foram capazes de despertar, em uma quantidade suficiente da população, a raiva ou a indignação necessárias para enfrentar as instituições vigentes —tanto pela força bruta, como nas revoluções Francesa e Russa, quanto pelo método atual da extrema direita, que consiste em se inserir no processo eleitoral com uma retórica incendiária para depois corroer a democracia representativa por dentro.

Medo e raiva são, desde sempre, instrumentos indispensáveis à propaganda de qualquer movimento antissistema. Cumpre reconhecer que também foram usados por democracias em tempos de guerra.

Hoje, é difícil identificar quanto da mente dos seguidores do nazifascismo era ocupada por cada um deles. É mais fácil saber quanto a raiva prosperou do outro lado. Após o ataque a Pearl Harbour, o ódio dos americanos ao inimigo asiático, movido pela campanha oficial que desumanizava os japoneses, gerou a aprovação maciça do ataque a Hiroshima. Uma semana depois da explosão nuclear, 85% dos americanos ouvidos pelo Gallup a aprovaram, mesmo cientes de que mais de 100 mil pessoas haviam sido exterminadas, a grande maioria civis inocentes.

O medo coletivo é polarizador, amplia divisões e frequentemente politiza e distancia diferenças antes pouco valorizadas e conciliáveis. Leva a uma sensação de instabilidade que termina efetivamente por produzi-la, estimulando protestos, conflitos e até a derrubada de governos. Atua na reconfiguração do debate público e estimula os indivíduos a abandonar líderes e partidos tradicionais, galvanizando o apoio a líderes autoritários que lhes acenem com segurança e proteção.

O medo é justificador de políticas repressivas, da restrição de direitos e até da aceitação de intervenções militares, como o Brasil sentiu na pele com as marchas cívicas em “defesa da família e da liberdade”, supostamente ameaçadas antes do golpe de 1964.

O então presidente João Goulart, um grande fazendeiro apoiado pela esquerda, tinha uma avaliação positiva (ótima e boa) de 35%, 41% regular e apenas 19% de ruim ou péssima. A maioria da população apoiava seu projeto de reformas de base. A reforma agrária, a mais polêmica delas, tinha aprovação de 72%. Porém, o marketing dos golpistas explorou o medo do comunismo, muito forte no cenário da Guerra Fria —76% dos brasileiros eram contra a legalização do Partido Comunista—, e Goulart foi deposto (Lavareda, 1989).

E a raiva? Enquanto o medo polariza e divide a sociedade entre “nós” e “eles”, os líderes políticos que o promovem ou o acentuam projetam a culpa nos supostos responsáveis pela “ameaça” e direcionam raiva e ódio como resposta ao “outro”. A desumanização pela representação caricatural facilita que as pessoas justifiquem e exercitem com pouco ou nenhum estresse a aversão aos demais grupos, como lembra Hannah Arendt.

Mas, certamente, a transposição do medo à raiva sempre foi e sempre será marcada pelas suscetibilidades e propensões individuais. Se o medo abre as portas para a mudança de preferências, a raiva gera a militância, capaz de ações violentas. É ela que mobiliza para a política os indivíduos com propensão autoritária (Marcus et al, 2019).

Predisposição genética, traumas passados e variação nas circunstâncias materiais e econômicas condicionam a resposta emocional. O caráter também cobra um preço. Aqueles que têm traços elevados de personalidade “dark” tendem a ser cativados por líderes de perfil semelhante —narcísicos, maquiavélicos e psicopatas (Nai, Maier e Vranic, 2021).

No Brasil, como enfatiza João Cezar de Castro Rocha, a “retórica do ódio” que explora e promove o ressentimento coletivo e a rejeição ao “sistema” inventando inimigos a todo momento é o instrumento indispensável para manter a base extremista em prontidão permanente. Nos Estados Unidos, Trump, além de demonizar adversários e investir contra migrantes, também explorou a raiva associada a agendas legítimas, como o aumento da desigualdade e a estagnação dos salários apesar do aumento da produtividade (Sandel, 2022).

Propagar o medo e agredir ora as minorias, ora o establishment, mesmo quando representam interesses de elites econômicas: é com essa fórmula que os novos populistas de todos os quadrantes se valem dos algoritmos para alimentar as redes sociais e conquistar apoio eleitoral.

Do ponto de vista das respostas fisiológicas corporais, na raiva, além de haver a presença de neurotransmissores comuns —adrenalina, noradrenalina e cortisol—, também ocorre a liberação de testosterona, que aumenta a agressividade. Isso explica a absoluta predominância de homens nos círculos mais exaltados online e offline das fileiras atuais da extrema direita.

Serge Tchakhotine, a principal referência no estudo da estratégia de comunicação que levou Hitler ao poder, destacou quão recorrente era a incitação do ódio e do emprego da violência nos seus discursos e no seu livro-guia, “Minha Luta”. Os judeus não eram seus únicos alvos. Hitler se referia à França, por exemplo, como “inimigo mortal”, o país dos “bastardos negroides”, cujo aniquilamento só seria alcançado “por uma guerra sangrenta, pelo gládio alemão”. Sua cruzada de limpeza étnica também abarcava ingleses, russos, “raças inferiores” e todos os que não fossem arianos. Nas suas palavras: “Temos de ser cruéis. Temos de recuperar a consciência tranquila para sermos cruéis”.

Mussolini não ficava por menos. Sua retórica apelava constantemente à violência. “Espancar” era um dos seus termos favoritos. Referindo-se a um adversário, escreveu: “Esse homem não me agrada; mas antes que a náusea me abata, quero chicoteá-lo até sangrar”. O fascismo, como descrito por um biógrafo do Duce, trouxe “uma nova forma de brutalidade, uma determinação viril para matar e mutilar”.

Em “Os Engenheiros do Caos”, a melhor análise disponível do modus operandi do populismo de extrema direita mundial em sua escalada mais recente e exitosa, Giuliano da Empoli nos dá indiretamente, sob um ângulo bibliométrico, a confirmação do papel das emoções. No trabalho, não aparecem explicações circulares como as que recorrem ao conceito de polarização para explanar a emergência dessa nova força antissistema ou para descrever um mundo supostamente dividido por igual —tal conceito, aliás, simplesmente está ausente do livro.

Em compensação, embora não haja nenhum capítulo destinado à leitura específica do papel que os sentimentos desempenham nessa trajetória, os vocábulos raiva, cólera, fúria e ressentimento ocupam o primeiro lugar entre eles, referidos 56 vezes. Medo e ansiedade comparecem outras 16. O autor ainda recorre genericamente aos termos “sentimento” e “emoção” em 19 citações. Na média, praticamente uma menção aos fatores afetivos a cada duas páginas do livro.

As fake news que inundaram a campanha de 2018 —uma “eleição crítica” que mudaria o cenário político brasileiro— foram recheadas de emoções negativas. Dois em cada três eleitores receberam mensagens falsas. Em pesquisa realizada pela Ideia Big Data com 1.660 entrevistados, 67% concordaram com a frase: “Certamente recebi fake news no WhatsApp durante a campanha eleitoral em 2018”. Em outra questão, 14% reconheceram que haviam compartilhado fake news de conteúdo político.

Isso significa que, naquela eleição, mais de 98 milhões de eleitores receberam fake news no aplicativo e que cerca de 20 milhões assumiram tê-las compartilhado no decorrer da campanha.

O conteúdo do apoio a Jair Bolsonaro no aplicativo concentrava o maior volume de informações falsas. Uma pesquisa publicada pelo britânico The Guardian identificou, em uma amostra de 11.957 mensagens espalhadas em 296 grupos do WhatsApp durante as eleições de 2018, que quase 42% do conteúdo de direita era falso, enquanto isso ocorria com menos de 3% das mensagens de esquerda. Um exemplo que se tornou famoso foi o “kit gay”, distorção homofóbica de um material educacional elaborado exatamente para combater a homofobia.

Outro levantamento, publicado no New York Times, analisou 100 mil imagens políticas que circularam em 347 grupos no segundo turno daquela eleição e constatou que apenas 4 das 50 mais compartilhadas eram verdadeiras (8%).

O pior, entretanto, estava por vir. Conquistada a Presidência, a operação de populismo online permaneceria ativa, agora dentro do Palácio do Planalto e com financiamento público, conforme revelaram ex-apoiadores que se afastaram do governo. Batizado de gabinete do ódio, esse bunker ideológico foi incumbido de manter a propaganda digital com destaque para a destruição da reputação dos adversários.

Na disputa de 2022, uma pesquisa do Ipespe realizada na semana anterior ao segundo turno assinalava que os entrevistados que apontavam o WhatsApp e o Telegram como fontes mais relevantes de informação eleitoral estavam, proporcionalmente, duas vezes mais presentes entre os eleitores de Bolsonaro (18%) que entre os de Lula (9%).

É difícil imaginar quantas mensagens de WhatsApp com uso de inteligência artificial serão disparadas na próxima campanha, mas a ordem de grandeza, certamente, não será muito diferente do volume de mensagens de texto durante as últimas eleições dos EUA: foram 15 bilhões delas.

Para fechar o raciocínio, vale checarmos, na outra ponta, o quanto os sentimentos de medo e de raiva prevalecem no eleitorado que apoia partidos e líderes extremistas, com exemplos recentes do Brasil e de Portugal, países que foram objeto de pesquisas conduzidas pelo Ipespe. É importante ressaltar que respostas obtidas em surveys não captam toda a extensão dos estados emocionais, o que torna legítimo supor que o uso de técnicas que monitoram sinais psiconeurofisiológicos poderia identificar percentuais ainda maiores (Lavareda, 2011).

Em 2023, o Partido Socialista português foi fragilizado por uma operação do Ministério Público, que depois se mostraria impertinente e abusiva. O fato levou ao afastamento, por iniciativa própria, do primeiro-ministro Antonio Costa, que dirigia o país havia oito anos. Assim, as eleições legislativas de março deste ano atingiram em cheio a legenda, que perdeu cerca de 30% da votação anterior, e redesenharam a distribuição das cadeiras na Assembleia da República.

Em uma ascensão meteórica, o partido de extrema direita Chega mais que quadruplicou sua bancada. A legenda havia conquistado sua primeira cadeira em 2019 e avançou para 12 assentos no pleito seguinte, em 2022.

O sentimento predominante na população em relação à forma como Portugal estava sendo governado era de preocupação/medo (54% dos entrevistados). Indignação/raiva vinha a seguir (15%). Ainda em chave negativa, 9% declaravam sentir sobretudo tristeza. Sentimentos positivos como esperança (14%), alegria (2%) e orgulho (1%) eram amplamente minoritários. Mesmo parte substancial (45%) dos votantes do PS expressava sua ansiedade em relação aos rumos do governo, quase o mesmo número dos que manifestavam esperança (45%).

Os dados dos apoiadores do Chega corroboram a expectativa. Embora seja o principal disseminador do medo e da raiva, o partido não conseguiria atrair todo esse contingente. Afinal, a crítica historicamente acirrada aos socialistas pela oposição tradicional de centro-direita tradicional, comandada pelo PSD (Partido Social Democrata), serve de muro de contenção aos extremistas.

Dessa forma, os eleitores do Chega eram motivados por preocupação/medo praticamente na mesma proporção do total (52%). Porém, o que sobressaía entre eles era indignação/raiva, com 32%, um terço dos seus votantes, mais de duas vezes o percentual localizado no total da amostra (15%). Também chama atenção o registro da tristeza entre eles (13%), mais que o triplo do encontrado (4%) entre os que optavam pela coligação da direita tradicional, o que revela que o partido também se beneficiou da defecção de eleitores frustrados com os socialistas.

Em maio, passada a eleição, sob o novo governo liderado pelo PSD, encapuzados agrediram imigrantes argelinos na cidade do Porto. A polícia os relacionou a organizações de extrema direita como Reconquista, Ação Hostil e o grupo 1143, liderado pelo neonazista Mário Machado, iniciativas que têm ligações com o Chega.

O Relatório Anual de Segurança Interna sobre 2023 alertava para a atuação de grupos que promovem ideias racistas, misóginas e homofóbicas, que buscam atrair jovens, sobretudo na internet, e se infiltrar nas forças de segurança. Segundo as autoridades, o que se passa em Portugal é semelhante ao que ocorre em outros países. A estratégia é propagar o medo, estimular sentimentos anti-imigração, promover a percepção de insegurança permanente, negar a ciência, rejeitar a política e apelar para ações movidas pelo ódio.

Os dados do Brasil não são relativos à campanha eleitoral: datam de maio de 2024 e se referem aos sentimentos em relação ao governo Lula (PT), cruzados pela variável de sua aprovação. Preocupação/medo são citados em primeiro lugar, com 37%, mas praticamente empatados com as menções à esperança (34%). Indignação/raiva prevalecem em 10% dos casos, tristeza em 6%, e outras emoções positivas —alegria e orgulho— alcançam juntas 7%.

Entre os que aprovam o governo, quase dois terços apontaram a esperança como sentimento predominante (63%), cerca de um quinto indicaram preocupação/medo (18%) e 14% disseram sentir alegria ou orgulho. Entre os que o desaprovam, 57% revelaram preocupação/medo, 22% manifestaram raiva/indignação e 13%, tristeza. O percentual de raiva/indignação nesse grupo representa 9% do total do eleitorado. Um contingente de cerca de 14 milhões de pessoas têm sentimentos de aversão ao presidente e a seu governo, reforçados ininterruptamente pelas fake news que circulam nas suas redes.

A identificação do tamanho dessa massa emocionalmente radicalizada nos ajuda a entender, de um lado, a facilidade na arregimentação das centenas de milhares de participantes das grandes manifestações de rua convocadas pelo ex-presidente Bolsonaro e, de outro, a disponibilidade de “haters” para a disseminação permanente de fake news na internet. Por isso, a “polarização” nunca arrefece. Diferentemente do passado, a campanha eleitoral da extrema direita nunca termina.

Um exemplo nítido ocorreu durante as enchentes no Rio Grande do Sul em maio. Aproveitando-se do contexto, a extrema direita fez uma intensa propagação nas redes de narrativas que buscavam desacreditar o apoio às vítimas pelo governo federal, negar a relação das enchentes com as mudanças climáticas, relacionar a tragédia a pautas morais (por exemplo, ao show de Madonna no Rio de Janeiro) e inflar o papel de atores do seu campo na resposta à crise, por meio de uma atuação multiplataformas que incluiu anúncios pagos do Meta Ads para amplificar seus efeitos.

Isso foi documentado pelo NetLab da UFRJ. A Escola de Comunicação Digital da FGV Rio também se debruçou sobre o tema, chegando a conclusões semelhantes. Neste levantamento, o conteúdo de maior repercussão foi um vídeo com a legenda “O povo está acordando”, que desafiava apurações da imprensa sobre a circulação de fake news na tragédia.

Citamos que medo e raiva costumam ter fatores comuns de deflagração, mas são diferentes nas suas consequências. Embora ambos desempenhem um papel maléfico, a raiva parece ser o principal reator da usina de desinformação.

Professores de uma universidade chinesa publicaram em 2022 os resultados de uma ampla pesquisa sobre a velocidade da disseminação das fake news associada a diferentes estímulos emocionais. Nela, lançaram mão de uma considerável gama de dados —chineses (coletados no Weibo) e britânicos e americanos (no Twitter)— sobre tópicos como a eleição norte-americana de 2016 e a pandemia de Covid-19 (Chuai e Zhao, 2022).

Utilizando modelos de regressão logística e linear, chegaram à conclusão que —embora, no geral, as notícias falsas sejam estatisticamente mais “contagiosas” que as reais, o que significa que se espalham mais rápido, permanecem mais tempo em circulação e são mais retransmitidas— não é qualquer fake news que se torna mais viral que uma notícia verídica.

O resultado os forçou a examinar mais detidamente o componente emocional, os levando à conclusão que a raiva é a principal chave explicativa da viralização. Quanto mais aumenta seu teor, mais cresce o potencial de contágio das fake news, em uma proporção seis vezes maior que outros estímulos emocionais. Os autores sugeriram, para enfrentar o problema, que essas mensagens sejam devidamente rotuladas —não apenas como fake news, mas como “angry news”.

Embora o inquérito das fake news do STF tenha trazido à tona parte significativa do sistema de disseminação de notícias falsas, o TSE ter publicado uma resolução visando prevenir a desinformação deliberada durante as campanhas eleitorais e 77% da opinião pública ter se mostrado favorável à regulação das redes e do WhatsApp para evitar fake news, não se consegue avançar, no Parlamento brasileiro, uma legislação que as combata permanentemente. Omissão semelhante se verifica no Congresso norte-americano.

A convergência dos interesses econômicos das plataformas, cujos algoritmos privilegiam as fake news, e das forças de extrema direita torna muito difícil caminhar nessa direção.

No Brasil e nos EUA, onde a correlação de forças não é tão favorável ao campo democrático quanto na União Europeia, a resistência das forças antissistema às tentativas de regulação será muito mais poderosa. Elas não podem abrir mão das fake news para confrontar a imprensa tradicional e ressignificar incessantemente a realidade por meio de narrativas carregadas de sentimentos de medo e ódio.

Sem isso, a ecoesfera radical perderia intensidade e dimensão. Na ausência desse combustível emocional, provavelmente definharia.

Este texto se baseia em palestra realizada no painel “Desinformação, propaganda eleitoral e integridade nas eleições” do Fórum de Lisboa 2024.

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