Jim Henson criou ‘Vila Sésamo’ e Muppets – 10/07/2024 – Folhinha

Você provavelmente conhece o Elmo, o fantoche vermelho que fala consigo mesmo na terceira pessoa –“Elmo gosta disso”, “Elmo não gosta daquilo”. Talvez conheça também o Caco, o sapo que toca banjo, e a Piggy, a porquinha com ataques de diva. Ou mesmo o Garibaldo, aquele canário gigante, supercurioso e que volta e meia se mete em trapalhada.

Eles são só um pequeno exemplo das dezenas de personagens inventados pelo americano Jim Henson, que viveu entre 1936 e 1990, e que tem a vida contada no filme “Jim Henson, o Homem-Ideia”, em cartaz no Disney+. Embora o documentário seja dirigido a um público mais adulto, dá para ser acompanhado por crianças mais crescidas que queiram conhecer o criador de “Vila Sésamo” e de “Muppet Show”.

O longa dirigido por Ron Howard mostra que Henson levou muito a sério o seu trabalho como bonequeiro —que é como chamam aquelas pessoas que manipulam os movimentos de um fantoche ou de uma marionete— e levou essa arte para outro patamar. Hoje, suas criações estão espalhadas por mais de 150 países. Há, inclusive, muita gente que começou a aprender inglês assistindo a algum de seus programas.

Mas virar conhecido entre as crianças não era bem o seu plano inicial. Henson foi um garoto criado no interior do Mississippi, numa das porções mais pobres dos Estados Unidos. Desde cedo era fascinado por televisão e conseguiu um dos primeiros empregos num programa de marionetes numa emissora local, em Washington DC, capital do país.

Foi nessa época que ele criou o embrião do seu personagem mais famoso, Caco, o Sapo —usou tecido do vestido de feltro da mãe dele para fazer o corpo, e uma bola de pingue pongue cortada ao meio para os olhos do bicho, também conhecido pelo seu nome original, Kermit.

Aos poucos as criações de Henson iam ficando mais famosas em seu país. Mas o grande pulo se deu anos depois, em 1969, quando ele foi convidado a criar fantoches para um programa que nascia com uma proposta bastante inovadora para a época: aproveitar a popularidade da TV, que estava na casa de todo mundo, para ajudar crianças pequenas a contar, a ler, a brincar, a fazer amigos… Era a “Vila Sésamo”.

Garibaldo, Elmo, Come-Come, Ênio e Beto são alguns dos tipos que surgiram nesse seriado educativo, que usava muita música e um humor meio bagunceiro para que as crianças se divertissem enquanto aprendiam coisas. É um programa que fez história por muitos motivos —foi um dos primeiros a ter um elenco diverso de atores (brancos, negros, latinos, asiáticos), numa época em que isso ainda não era nada comum. Foi um estouro e ganhou até uma versão brasileira.

Henson não parou por aí. Enquanto todo mundo achava que fantoches eram coisa de criança, ele insistiu que adultos também poderiam curtir. Eis então que inventou o “Muppet Show”, uma série de comédia na qual resgatou o Caco, que ele havia criado lá atrás, e uma série de outros bichos engraçados, como o urso Fozzie, o alienígena Gonzo e o cachorro Rowlf. Outro sucesso. De repente, celebridades disputavam uma participação especial no programa, que mais tarde daria origem a filmes, desenho animado, bichos de pelúcia

Mais tarde ele usaria sua técnica para criar bonecos em outros dois filmes, “O Cristal Encantado” e “Labirinto – A Magia do Tempo“. Os computadores eram muito limitados na época, então efeitos especiais e criaturas fantásticas tinham de ser feitos de maneira artesanal —na mão mesmo—, o que também deixava tudo com um charme que não existe na maioria das produções superdigitais de hoje.

Mas se os Muppets ainda estão por aí, se “Vila Sésamo” educa os filhos e até mesmo os netos das primeiras crianças que foram conquistadas pelo programa, então é porque técnicas de bonequeiro como as de Jim Henson têm algo de especial.

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