Livro ensina palavras do mundo dos livros para as crianças – 14/06/2024 – Folhinha

Um livro sobre os livros. É esta a proposta de “Tem um Gato no Frontispício”, que fala do vocabulário e do universo das editoras para as crianças. A Folhinha conversou com os autores, a escritora Sofia Mariutti e o ilustrador Vitor Rocha.

Quem inventou esses nomes complicados tipo “frontispício”, “colofão” e “glossário”?

Os gregos, os romanos! E quem contou isso pra gente foi o dicionário Houaiss, que tem uma aba dizendo de onde vieram as palavras. “Frontispício” veio do latim, como muitas outras palavras da língua portuguesa. O sentido original tinha a ver com o rosto. Aliás, hoje muitas pessoas preferem dizer “folha de rosto” em vez de frontispício, mas é legal continuar usando essas palavras malucas, pra que elas não sejam esquecidas. Colofão veio do grego: era o fim de uma obra, o toque final. Glossário também veio do grego, e queria dizer “pequena língua, linguinha”.

E quem deu eles para os elementos dos livros?

Os sentidos das palavras vão mudando com o tempo, e muitos desses nomes já eram usados para partes do livro na Idade Média, então faz muito tempo, mais de 500 anos! “Frontispício” aos poucos virou o nome de uma página no começo do livro que trazia uma imagem do autor ou da obra, e que vinha com as informações todas do livro (título, autor, editora etc).

O rosto ajuda a gente a reconhecer a outra pessoa, não é? O frontispício é o rosto do livro, como uma capinha interna, que ajuda a gente a reconhecer que livro é aquele. Colofão também virou a página no fim de um livro que dá os detalhes da produção, impressão. E o glossário virou um vocabulário, um pequeno dicionário no fim do livro com a definição de palavras estranhas que apareceram ao longo do texto.

Todo mundo que trabalha fazendo livros tem que conhecer essas palavras?

Longe da gente pensar isso! Achamos que existe uma poesia nessas palavras grandes, meio música pra esse processo tão bonito que é gerar um livro. Mas a língua é viva, e quem trabalha com isso vai encontrando formas de se referir a cada parte do livro.

Muitas pessoas que trabalham com livro falam essa língua esquisita. Como alguém que trabalha com construção talvez fale de rejunte, rufo e pingadeira. Essas palavras malucas, por incrível que pareça, ajudam a gente a se comunicar e trabalhar melhor. E a coisa mais legal é dividir essas palavras com todo mundo que ainda não ouviu falar delas.

O livro tem muitos animais escondidos. Por que o gato foi o escolhido para ir para o título?

O gato não foi bem escolhido, ele que escolheu! Ele estava lá bem preto, lindão, enroscado num fio, no frontispício do primeiro livro ilustrado da Sofia em parceria com a Yara Kono, “Vamos Desenhar Palavras Escritas” (Baião). E foi daí que veio a ideia do livro, além da primeira frase e do título. Um livro nasceu de dentro do outro.

Por que vocês quiseram fazer um livro falando de livros?

A gente está conversando com uma tradição de livros estrangeiros que falam sobre livros. Além de reconhecer e valorizar a “linguinha” dos livros e a quantidade de pessoas envolvidas nesse universo (são muitas pessoas com muitos talentos diferentes!), buscamos também trazer mais curiosidade pra esse objeto.

Nesse jogo de procurar e achar animais, vamos sendo reapresentados a esse item que a gente pensava conhecer tão bem. É uma forma de olhar diferente pra uma coisa que estava bem na nossa frente o tempo todo!

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