Peça Sonho de um Homem Ridículo leva Dostoiévski a Minas – 09/07/2024 – Ilustrada

No conto “O Sonho de um Homem Ridículo”, de Fiódor Dostoiévski, um homem angustiado pelas frustrações e pela indiferença que sente pela vida reflete sobre a ideia de cometer suicídio, mas repensa o plano ao encontrar uma menina que lhe pede ajuda durante uma caminhada noturna.

Em sua poltrona, depois do encontro, ele adormece diante do revólver carregado e, então, vive a experiência de um sonho fantástico em uma terra harmônica, um lugar em que o mal ainda não devastou a humanidade, mas que aos poucos é contaminado pela mentira, a vaidade, a inveja e a crueldade.

Na montagem teatral da Cia. Lúdica dos Atores para o clássico literário, elementos cênicos transportam a história da fria e úmida Rússia para Minas Gerais.

O ator Leo Horta transita em um cenário composto por mobiliário de madeira, livros, objetos e recipientes que remetem à cultura mineira e são manipulados durante a encenação. Ele chega a segurar nas mãos e exibir para o público livros como “Grande Sertão Veredas“, de Guimarães Rosa.

A peça celebra os 20 anos da companhia de Belo Horizonte e, após temporadas premiadas por Minas Gerais, está em cartaz no Espaço Parlapatões, em São Paulo, até o dia 21 de julho.

A Cia. Lúdica dos Atores tem a trajetória marcada por pesquisas e montagens da obra de Shakespeare, por meio de estudos em torno da cultura popular.

O grupo já apresentou peças como “Hamlet em 15 Minutos”, “De Pobre a Nobre” e “Trabalhos de Amor Perdidos”, todas com direção de Marcos Vogel. “A Ilha da Magia”, adaptação de “A Tempestade”, foi destinada ao público infantil e dirigida por Ricardo Martins. Também foram montadas “O Rei Lear” e “Palhaços”, com direção de Ricardo Martins.

“O Sonho de um Homem Ridículo” é uma parceria do grupo com Alexandre Kavanji, da Cia. Paulicea de Teatro.

A peça busca ser fiel ao texto original, traduzido por Vadim Nikitin, e explora a interpretação dramática de Horta, ator estudioso de métodos russos de teatro.

“Nos interessa sobretudo essa narrativa fantástica, a intensidade da interpretação, a inventividade da linguagem cênica, assim como uma reflexão crítica aliada à beleza que a obra de Dostoiévski nos proporciona”, diz Kavanji.

A intenção é conduzir o público para as reflexões sobre vida, morte e redenção que o autor russo propôs em seu conto. A companhia também usou como referências o texto “O Homem que Matou Deus”, de Friedrich Nietzsche, e a reflexão de Albert Camus sobre o mito de Sísifo.

Além disso, foram realizadas pesquisas em linguagem corporal, artes plásticas e cinema, em um processo com 18 meses de duração e que começou na pandemia.

A peça estreou no ano passado em Minas Gerais, circulou por várias cidades brasileiras e recebeu 14 indicações para prêmios em seis festivais brasileiros. Ganhou os prêmios de melhor ator, melhor espetáculo de palco, melhor trilha sonora original e melhor cenário no 7º Festival Internacional de Palco e Rua de Araçuaí.

Uma adaptação do mesmo conto de Dostoiévski, estrelada por Celso Frateschi, é sucesso de público e crítica desde 2011.

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