Quem foi Ville Roy? Entenda por que uma das principais avenidas de Boa Vista tem esse nome


Nome de via que cruza o centro da capital é homenagem a militar ex-governador do Amazonas e criador do município. Saiba quem foi e a importância da avenida para a cidade atualmente. Avenida Ville Roy, uma das mais movimentadas de Boa Vista
Semuc/Divulgação/Arquivo
Seja com destino à rodoviária internacional ou ao shopping do bairro Caçari, a Ville Roy é a principal avenida para cruzar o Centro de Boa Vista. Mas, você também já se perguntou o por quê ela tem esse nome? No aniversário de 134 anos da capital, celebrado nesta terça-feira (9), g1 foi atrás de registros históricos para ajudar a conhecer a história de uma das vias mais movimentadas da cidade.
👉 🇫🇷 Curiosidade: o nome escrito é Ville Roy, mas a pronúncia é um tanto diferente: “Villerruá”, já que tem origem francesa.
Villeroy: governador que criou o município de Boa Vista
Apesar de não ser oficializado nem nenhum registro da época, acredita-se que o nome da avenida Ville Roy foi dado em homenagem ao criador do município de Boa Vista: Augusto Ximeno Villeroy. Militar e governador da então província do Amazonas, Villeroy foi quem assinou o decreto nº. 049 no dia 9 de julho de 1890 e elevou Boa Vista ao status de município (Saiba mais sobre ele abaixo).
Com o decreto do governador Villeroy, Boa Vista foi desmembrado do município de Moura, no Amazonas, e passou a ser município.
A avenida Ville Roy foi construída em uma época em que existiam apenas 13 automóveis em todo o território de Roraima, segundo um relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 1953. A via, entretanto, sempre teve o aspecto largo, hoje tem seis pistas de tráfego. Ela foi pensada para o futuro, já antecipando o crescimento urbanístico da capital.
Vista aérea de Boa Vista com a avenida Ville Roy destacada, por volta do final das décadas de 50 e 60
IBGE/Reprodução
Não se sabe, entretanto, o motivo da avenida não ter recebido o nome completo do militar igual às outras vias que saem da “bola” do Centro Cívico, como a Capitão Júlio Bezerra, Capitão Ene Garcez e Benjamin Constant.
Sobre a maior parte dos nomes das principais ruas e avenidas do Centro serem homenagens a antigos militares, o historiador e pesquisador da Universidade Estadual de Roraima (UERR), André Augusto da Fonseca, explica que tudo se trata do contexto histórico da criação e desenvolvimento do município.
“A criação do município ocorreu em meio a um contexto da Ditadura Militar de Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Então, os governadores do Amazonas eram militares positivistas e republicanos. Depois, o poder passou para os ‘coronéis de barranco’, que eram pecuaristas, das famílias Brasil e Cruz, por exemplo. São os casos de Sebastião Diniz, Jaime e Bento Brasil, Inácio Magalhães, todos nomes de rua”, explica.
Plano urbanístico de 1946
Plano urbanístico Darcy Aleixo Derenusson para a cidade de Boa Vista, em 1946
Antônio Teixeira Guerra, em “Estudo Geográfico do Território do Rio Branco”
No plano urbanístico de 1946 feito para Boa Vista pelo engenheiro e arquiteto carioca Darcy Aleixo Derenusson, a avenida Ville Roy já aparecia, embora não se tenha uma data exata de quando ela foi criada.
O projeto visava garantir o desenvolvimento da cidade e o fácil acesso aos serviços públicos para os cerca de 1.800 moradores de Boa Vista naquela época.
Foi Derenusson quem cravou o famoso desenho no formato que lembra um leque para o Centro da cidade. A ideia foi escolhida em 1946, três anos depois da criação do Território Federal do Rio Branco pelo então governador Ene Garcez.
Inspirado na paisagem da cidade de Belo Horizonte, o plano de Derenusson tinha o Centro Cívico, onde fica o palácio do governo Senador Hélio Campos, como principal referência para as avenidas que “saem” dele para rumo aos bairros da cidade.
Além da Ville Roy, outras importantes vias de Boa Vista também que “saem” da popularmente conhecida “bola” do Centro Cívico também aparecem nos documentos do plano da década de 1940, entre elas a Mário Homem de Melo, Capitão Júlio Bezerra, Getúlio Vargas, Nossa Senhora da Consolata e Benjamin Constant.
Antes do plano, as únicas avenidas de Boa Vista eram a Jaime Brasil, que sempre foi o principal Centro comercial da capital, e suas adjacentes, as avenidas Bento Brasil e Floriano Peixoto.
Recortes de anúncios no jornal “O Átomo”, que circulou em Roraima na década de 1950, mostram que a Ville Roy era tratada como rua. Não se sabe, portanto, quando a via ganhou o status de avenida, porém, em jornais da década de 80, ela já era tratada como avenida.
Vista aérea da cidade de Boa Vista cerca de 30 anos depois das obras do plano urbanístico
IBGE
A “Ville” hoje em dia
Atualmente, no aniversário de 134 anos de Boa Vista, com mais de 8 km de extensão – da Rodoviária de Boa Vista até o Roraima Garden Shopping, divididos praticamente ao meio pelo Centro Cívico, a Ville Roy absorveu traços do crescimento da capital que incluem o contraste entres as zonas Leste e Oeste da cidade.
O trecho Leste inclui os bairros como São Pedro, Canarinho, Aparecida – região conhecida pelos prédios comerciais de alto padrão e áreas de esporte e lazer, como o estádio Canarinho e a Praça da Amoca. Mais à frente, a avenida cruza pelo bairro Caçari, área conhecida pelas lojas e bares considerados de alto padrão.
Já o trecho da área Oeste passa pelo bairro São Vicente, reúne mais lojas de serviços e termina no bairro Treze de Serembro, uma região de passagem para aqueles que entram e saem da capital pela BR-174. Nos arredores dessa metade da avenida , há volume de empresas de autopeças, construtoras e pousadas próximas à Rodoviária Internacional de Boa Vista.
Saiba mais sobre o Villeroy
Documento antigo com foto de Augusto Ximeno de Villeroy, criador do município de Boa Vista
Arquivo Público Mineiro
O governador Augusto Ximeno Villeroy foi um engenheiro do Exército e participou da conspiração que derrubou a monarquia, no Golpe Militar de 1889, conforme consta no livro “História do Amazonas”, do historiador Arthur César Ferreira Reis.
Por ter participado da Proclamação da República como apoiador de Benjamin Constant, Villeroy ganhou a confiança dos republicanos e foi nomeado governador da província do Amazonas um ano depois, em 1890, durante o governo de Marechal Deodoro da Fonseca. À época, todo o território roraimense, incluindo o que hoje é a capital, pertencia ao Amazonas.
No entanto, o mandato de Villeroy como governador durou menos de 11 meses, de janeiro a novembro de 1890. Após deixar o cargo, o militar retornou ao Rio de Janeiro e liderou conspirações tenentistas na década de 1920 contra o governo do então presidente do Brasil Arthur Bernardes.
Recorte de anúncio em jornal de 1953 traz a Ville Roy ainda como rua
Biblioteca Nacional Digital
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Link da fonte

Ver Artigo Completo