Roger Mello, ilustrador brasileiro, tem exposição nos EUA – 06/07/2024 – Era Outra Vez

Um fuzuê. Logo ao entrar no museu, o visitante é recebido por unicórnios, tartarugas amazônicas, crianças do mangue, peixes alongados e pássaros multicoloridos. Depois, já dentro da galeria, a explosão de cores se intensifica e recebe a companhia de linhas sinuosas, colagens com diferentes materiais, personagens mascaradas, carrancas e todo um universo que transpira Brasil e América Latina.

Assim é “Fuzuê! Invenção e Imaginação na Arte de Roger Mello”, exposição nos Estados Unidos que apresenta diferentes trabalhos do brasileiro Roger Mello. Aberta no museu Eric Carle, em Massachusetts, uma das principais instituições ligadas à ilustração e ao livro ilustrado no mundo, a mostra é primeira exibição individual e com trabalhos originais do ilustrador no país.

“Foram eles que escolheram esse nome ‘Fuzuê’ e também as obras expostas”, conta Mello, que é um dos mais reconhecidos autores do Brasil. Em 2014, ele se tornou o único artista visual latino-americano a vencer o Hans Christian Andersen, considerado o prêmio Nobel da literatura infantojuvenil. Na categoria para escritores, as brasileiras Ana Maria Machado e Lygia Bojunga também receberam o troféu.

Até o ano que vem, estarão disponíveis no museu americano imagens de livros conhecidos do leitor brasileiro —entre eles, “Meninos do Mangue”, “Cavalhadas de Pirenópolis”, “João por um Fio”, “Carvoeirinhos” e “Maria Teresa”, por exemplo. Ao todo, estão expostas ilustrações de 12 títulos já lançados, além de obras do inédito “Sherjahaan”, que tem texto da chinesa Yun Dai.

Pelos corredores, é como se cores, formas, personagens, fauna e flora que saltam das ilustrações de Mello e passam por lugares como a Amazônia, o cerrado, o rio São Francisco e os mangues brasileiros concretizassem o fuzuê cantado por Jackson do Pandeiro em “Chiclete com Banana” —ali, o Tio Sam toca tamborim e zabumba, numa mistura de Miami com Copacabana e boogie-woogie com pandeiro e violão.

Tudo isso dentro de um contexto político no qual o republicano Donald Trump parece cada vez mais próximo de voltar à Presidência, com discursos contra a imigração retomando a força.

“Acho que a exposição é também diálogo”, afirma Mello. “A proposta é mostrar um Brasil complexo, diverso, fora dos estereótipos, que conversa com o mundo”, completa ele. “Roger Mello é um artista que não conhece fronteiras, seu estúdio é o mundo”, definiu Jennifer Schantz, diretora-executiva do museu, no material de apresentação de “Fuzuê”.

De fato, a exposição coincide com um momento de expansão global do trabalho do ilustrador. Com constantes viagens internacionais, Mello recentemente publicou dois livros em parceria com o chinês Cao Wenxuan, que também venceu do Hans Christian Andersen —”A Pena”, com tradução brasileira de Ana Maria Machado, e “Lemon Butterfly”, ainda sem edição no país. Em parceria com o coreano Woo Hyon Kang, lançou “Magma Boy”, também inédito no Brasil.

Além dessas, outras de suas obras começam a se consolidar nos Estados Unidos. Por lá, saíram “Carvoeirinhos”, “Todo Cuidado É Pouco” e “João por um Fio”, sendo que estes dois últimos foram premiados pela American Library Association. Já “Griso, o Único” será publicado no segundo semestre deste ano, com a presença de Mello em eventos ligados à exposição.

Sem previsão de ser levada ao Brasil, a mostra ficará aberta até janeiro de 2025 no museu Eric Carle, espaço criado pelo próprio ilustrador americano que dá nome ao local. Morto em 2021, ele é autor de clássicos do livro ilustrado, como o best-seller mundial “Uma Lagarta Muito Comilona”. Com área de mais de 30 mil metros quadrados, a instituição guarda o acervo de Carle e outras 9.000 obras de cerca de 300 artistas.


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