Uma experiência imersiva na rica cultura da Mongólia – 27/06/2024 – Robson Jesus

Na minha jornada por todos os 196 países do mundo, a Mongólia, foi o décimo primeiro a ser visitado. Espremido entre o sul da Rússia e o norte da China, é o maior país do mundo que não é banhado por nenhum oceano, além de ter a sexta menor densidade populacional do mundo: são menos de 2 habitantes por km². Por lá, a cultura equestre está profundamente enraizada no cotidiano. Existem mais cavalos que humanos —algo que eu nunca teria imaginado ser real em algum lugar.

Cheguei à Ulan Bator, a capital mongol, em um dia frio no início do mês de maio. Logo no primeiro dia, visitei o mosteiro Gandantegchinlen, a praça Sukhbaatar e o Museu Nacional. À noite, pude desfrutar de uma apresentação de arte tradicional seguida de um jantar de boas-vindas. Logo em seguida, encarei 20 horas de estrada entre a capital e Olgii, no extremo-oeste do país, onde me hospedei com uma família nômade por alguns dias. Definitivamente, a experiência que mais me surpreendeu no país.

Digo isso porque, sempre que visito um país, me permito ser conduzido e engolido por seus hábitos e costumes para compreender melhor a vivência local —o que só é realmente possível quando não sabemos com total previsibilidade o que vamos encontrar, quando damos espaço para a vida acontecer.

Ao contrário da vivência de comunidades consideradas mais “modernas”, os nômades se deslocam constantemente em busca de pasto para o seu gado. As tendas, habitações dos nômades, eram inteligentes. Além de serem à prova d’água, também são construídas de tal maneira que o isolamento térmico funciona muito bem.

Apesar de suas vidas estarem em torno de um cotidiano mais fisicamente trabalhoso, o valor humano da hospitalidade continua sendo universal e sobressaindo qualquer cansaço. Eu estava envolvido pela gentileza daquelas pessoas, tanto que me senti confortável em provar khorkhog, o churrasco de cordeiro assado sobre pedras vulcânicas. O preparo acontece do lado de dentro da tenda, e após a refeição, notei que o frio intenso passava despercebido durante as conversas de acolhimento.

A vida nômade é um jeito de viver que está desaparecendo à medida que as novas gerações optam por estilos de vida mais urbanos. Embora eu sentisse uma pontinha de tristeza ao pensar que esse belo estilo de vida estava se tornando obsoleto, também entendo o desejo por uma vida mais próxima dos benefícios que foram desenvolvidos ao longo da história —não se fixar definitivamente em um local, acredito, deve ser ruim para quem precisa de cuidados médicos especiais, por exemplo.

Eu costumo dizer para algumas pessoas que é necessário viver os clichês. Portanto, antes de me despedir daquelas pessoas, fiquei sentado em uma colina pitoresca para assistir ao pôr-do-sol atrás das montanhas. Já mencionei que a natureza em si me marca profundamente —o que não muda nem mesmo em um país sem litoral.


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